AAL participa de homenagem ao mandato da ONU sobre hanseníase, em evento paralelo à 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas
Encontro em Nova York marcou o encerramento de quase uma década de atuação da Relatoria Especial da ONU dedicada às pessoas acometidas pela hanseníase e seus familiares.
O Instituto Aliança Contra Hanseníase (AAL) participou, nesta sexta-feira, 23 de outubro de 2026, do evento “Homenagem ao Mandato sobre a Hanseníase: seu legado e o futuro dos Direitos Humanos e das Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs)”. O encontro foi realizado como evento paralelo à 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas. A fundadora e representante legal do AAL, Dra. Laila de Laguiche, e a gerente geral do Instituto, Nicole Morihama, acompanharam o encontro de forma virtual.
O evento aconteceu na sede da Bahá’í International Community, em frente à sede da ONU, em Nova York. Foi organizado pela IDEA International, pela CIOMAL e pela The Leprosy Mission International, em colaboração com a Relatora Especial da ONU para a eliminação da discriminação contra pessoas acometidas pela hanseníase e seus familiares. Participaram representantes de Estados-membros, da Organização Mundial da Saúde (OMS), pessoas acometidas pela hanseníase e organizações da sociedade civil de diversos países.
Um mandato que deu voz a quem foi silenciado
Criado em junho de 2017 pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, o mandato da Relatoria Especial para a eliminação da discriminação contra pessoas acometidas pela hanseníase e seus familiares teve como primeira titular a pesquisadora portuguesa Dra. Alice Cruz. Ela exerceu dois mandatos consecutivos, entre 2017 e 2023, e foi a responsável por estruturar a Relatoria. Com uma abordagem centrada nas próprias pessoas afetadas, a Dra. Alice Cruz realizou visitas a diversos países, denunciou leis discriminatórias ainda em vigor e incluiu a hanseníase na agenda dos mecanismos de direitos humanos das Nações Unidas. Em 2023, o trabalho passou a ser conduzido pela equatoriana Dra. Beatriz Miranda-Galarza.
Ao longo de quase uma década, o mandato levou a experiência das pessoas acometidas pela hanseníase para o centro do sistema internacional de direitos humanos e abriu espaço para que elas fossem ouvidas na ONU. Com o encerramento do mandato, o Conselho de Direitos Humanos aprovou sua primeira resolução sobre direitos humanos e doenças tropicais negligenciadas (Resolução 62/21). O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OHCHR) está agora elaborando um relatório sobre o tema.
Compromisso contínuo do AAL na agenda internacional
A participação reforça a presença do AAL nos debates internacionais sobre hanseníase e direitos humanos. Em junho de 2026, o Instituto já havia sido um dos organizadores de um evento paralelo ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, sobre as violações históricas de direitos sofridas por pessoas acometidas pela hanseníase.
“O mandato da Relatoria Especial mostrou ao mundo que a hanseníase não é só uma questão de saúde, mas de direitos humanos. Durante quase dez anos, as pessoas acometidas pela hanseníase foram ouvidas onde antes eram invisíveis. O encerramento do mandato não pode significar um retrocesso. Cabe agora à sociedade civil, aos governos e aos organismos internacionais manter essa agenda viva e transformar as recomendações em políticas concretas”, afirmou a Dra. Laila de Laguiche, fundadora do AAL.
Sobre o AAL
O Instituto Aliança Contra Hanseníase (AAL) é uma organização sem fins lucrativos, qualificada como OSCIP pelo Ministério da Justiça, que atua no enfrentamento da hanseníase a partir de três eixos: ciência, educação e assistência. Na assistência, o Instituto mantém três programas. O TECHansen oferece tecnologia assistiva para a prevenção de incapacidades e recebeu menção honrosa do Ministério da Saúde. O FeetHansen produz calçados e palmilhas sob medida e mantém a rede Sapatarias AAL. O DOCHansen oferece teleinterconsulta médica e apoio psicológico, com atuação que já chega a Angola. Na ciência e na educação, o AAL apoia pesquisas por meio de seu Comitê Científico, promove a capacitação de profissionais de saúde.
No plano internacional, o Instituto tem participação ativa na agenda de direitos humanos das Nações Unidas: sendo um dos organizadores de eventos paralelo ao Conselho de Direitos Humanos da ONU. O AAL é parceiro exclusivo da CIOMAL no Brasil, organização suíça da Ordem de Malta dedicada ao combate à hanseníase, e é Observador Consultivo da CPLP, membro da GlobalSkin e Apoiador Oficial da ILA. Em todas essas frentes, o objetivo é o mesmo: garantir dignidade, inclusão e acesso à saúde para as pessoas acometidas pela hanseníase e seus familiares.









