Sobre a doença
Atualizado em abril de 2026.
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica, causada pela bactéria Mycobacterium leprae, que acomete principalmente a pele e os nervos periféricos. Apesar de possuir tratamento eficaz e cura, a doença permanece como um relevante desafio de saúde pública em escala global, especialmente em países com maiores desigualdades sociais e limitações no acesso ao diagnóstico precoce e ao cuidado contínuo.
No cenário internacional, dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde indicam que, em 2024, foram notificados 172.717 novos casos de hanseníase em 188 países, evidenciando que a doença ainda está ativa em diversas regiões do mundo . Desse total, 5,4% ocorreram em crianças menores de 15 anos, o que indica transmissão recente e persistente da doença . Outro dado crítico refere-se aos casos diagnosticados já com incapacidades físicas visíveis (grau 2), que totalizaram mais de 9 mil casos globalmente — um indicador direto de diagnóstico tardio e falhas na detecção oportuna.
A distribuição global da hanseníase é altamente concentrada. Países como Índia, Brasil e Indonésia respondem por aproximadamente 80% dos casos registrados, configurando um cenário de persistência da doença em territórios específicos . Nas Américas, a situação é ainda mais concentrada: mais de 90% dos casos ocorrem no Brasil, o que reforça o papel central do país no enfrentamento da doença na região .


No contexto regional das Américas, observa-se uma tendência de redução durante o período da pandemia de COVID-19, seguida por retomada no número de casos nos anos subsequentes, evidenciando que a queda anterior esteve associada à redução do diagnóstico e não necessariamente à diminuição da transmissão da doença . Esse comportamento reforça a importância da vigilância ativa e da capacidade dos sistemas de saúde em identificar precocemente os casos.
No Brasil, a hanseníase segue como um importante desafio epidemiológico. Dados oficiais do Ministério da Saúde mostram que, apenas em 2024, foram registrados 22.129 novos casos, com uma taxa de detecção de 10,41 casos por 100 mil habitantes, considerada elevada e prioritária para intervenção em saúde pública . Ao longo da última década, foram notificados mais de 300 mil casos no país, com transmissão ativa em diversas regiões e presença da doença em quase metade dos municípios brasileiros. O Brasil é o segundo país com maior número de casos de hanseníase no mundo.
Além da magnitude, o perfil epidemiológico da hanseníase no Brasil evidencia profundas desigualdades sociais. A doença acomete majoritariamente populações em situação de vulnerabilidade, estando associada a fatores como baixa escolaridade, condições precárias de moradia e dificuldade de acesso aos serviços de saúde. Trata-se, portanto, de uma doença fortemente determinada por fatores sociais, que exige respostas integradas para além do setor saúde.


Um dos indicadores mais preocupantes no cenário nacional é a proporção de casos diagnosticados com incapacidades já instaladas, o que revela atraso no diagnóstico. Esse dado reforça que o principal desafio atual não é apenas o tratamento da doença, mas a sua identificação precoce. Quando não diagnosticada a tempo, a hanseníase pode causar danos irreversíveis aos nervos periféricos, levando à perda de sensibilidade, fraqueza muscular, feridas, deformidades e limitações funcionais permanentes.
Nesse contexto, a hanseníase deve ser compreendida não apenas como uma doença infecciosa, mas como uma condição que exige uma abordagem integral, que inclua diagnóstico precoce, tratamento adequado, prevenção de incapacidades físicas, reabilitação e enfrentamento do estigma. A Organização Mundial da Saúde, inclusive, orienta que o enfrentamento da doença esteja alinhado ao conceito de “zero hanseníase”, que envolve três dimensões fundamentais: zero transmissão, zero incapacidades evitáveis e zero estigma.
A persistência da hanseníase também está diretamente relacionada ao estigma histórico associado à doença, que ainda impacta o comportamento das pessoas acometidas, muitas vezes retardando a busca por diagnóstico e dificultando a adesão ao tratamento. A discriminação e a desinformação continuam sendo barreiras relevantes para o controle da doença, afetando não apenas a saúde, mas também a dignidade e a inclusão social das pessoas.
É nesse cenário que o Instituto Aliança Contra a Hanseníase (AAL) atua, desenvolvendo ações voltadas ao enfrentamento dos principais desafios identificados no contexto global, nacional e regional. O Instituto trabalha de forma estratégica na qualificação de profissionais de saúde, no fortalecimento da linha de cuidado, na promoção do diagnóstico precoce e, especialmente, na prevenção de incapacidades físicas por meio de iniciativas de reabilitação e tecnologia assistiva.
Ao alinhar suas ações às diretrizes internacionais e às necessidades reais do território brasileiro, o AAL contribui diretamente para reduzir o impacto da hanseníase na vida das pessoas acometidas pela doença. Mais do que combater uma doença, trata-se de garantir acesso ao cuidado, preservar a funcionalidade e promover dignidade.
A hanseníase ainda existe, ainda é transmitida e ainda causa incapacidades evitáveis. Mas também é uma doença que pode ser controlada, tratada e superada com informação, diagnóstico precoce e cuidado adequado. Cada caso representa uma pessoa — e cada diagnóstico precoce representa uma oportunidade de transformação de vida.
Transmissão
Diagnóstico
Sobre diagnóstico acesse: https://aal.org.br/hanseniase/teste-diagnostico/
Tratamento
Leia aqui os documentos oficiais mais recentes:
