Dra. Laila de Laguiche destaca qualificação profissional como eixo central para reduzir incapacidades na hanseníase em conferência nacional do Ministério da Saúde
Neste sábado, a dermatologista e hansenologista Dra. Laila de Laguiche, fundadora e presidente do Instituto Aliança Contra Hanseníase (AAL), participou como palestrante na Conferência Nacional de Alto Nível em Hanseníase 2026: Intensificando esforços por um Brasil livre da hanseníase, realizada entre os dias 12 e 14 de março, no Rio de Janeiro/RJ, promovida pelo Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA).
Em sua apresentação, com o tema “Qualificação de profissionais da saúde na atenção complementar na linha de cuidado da hanseníase”, a especialista trouxe uma análise aprofundada sobre um dos principais desafios atuais no enfrentamento da doença: a necessidade de transformar conhecimento técnico acumulado em capacidade clínica efetivamente distribuída no sistema de saúde.
Ao longo da palestra, Dra. Laila destacou que, embora o Brasil tenha avançado significativamente no diagnóstico e tratamento da hanseníase, ainda persistem lacunas importantes na prevenção de incapacidades. Segundo ela, muitas das sequelas observadas poderiam ser evitadas por meio de intervenções oportunas, desde que os profissionais estejam adequadamente capacitados para reconhecer precocemente sinais de neurite, reações hansênicas e riscos funcionais.
“A hanseníase pode ser tratada com medicamentos, mas evitar o dano neural e preservar a função depende diretamente da qualidade do cuidado oferecido ao longo de toda a linha de atenção”, afirmou.
A apresentação abordou também experiências internacionais relevantes, que têm investido na estruturação de programas contínuos de capacitação e na incorporação da prevenção de incapacidades como componente central das políticas públicas de hanseníase.
Outro ponto central foi a necessidade de superar a lógica de treinamentos pontuais, avançando para modelos estruturados de educação continuada, com prática supervisionada, tutoriamento clínico e integração entre serviços e centros de referência. Para a especialista, a qualificação profissional deve ser compreendida como uma infraestrutura permanente do sistema de saúde, e não como uma ação isolada.
A Dra. Laila enfatizou ainda o papel da atenção complementar — que inclui a prevenção de incapacidades, a reabilitação funcional, o uso de tecnologia assistiva e o suporte psicossocial — como elemento essencial para garantir qualidade de vida às pessoas acometidas pela hanseníase.
Como encaminhamento, apresentou uma agenda estratégica voltada ao fortalecimento da linha de cuidado no Brasil, destacando a importância de institucionalizar a avaliação neurológica sistemática, integrar a reabilitação desde o diagnóstico e fortalecer redes de referência capazes de sustentar a qualidade do cuidado em todos os níveis do sistema de saúde.
A participação da Dra. Laila reforça o papel do Instituto Aliança Contra Hanseníase como uma instituição que alia ciência, educação e atuação prática em campo, contribuindo de forma consistente para o fortalecimento das políticas públicas e para a construção de soluções sustentáveis no enfrentamento da hanseníase no Brasil.









