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OMS reconhece doenças de pele como prioridade global de saúde pública: Brasil tem papel estratégico nesse avanço

No dia 27 de maio de 2025, a Assembleia Mundial da Saúde, instância máxima da Organização Mundial da Saúde (OMS), aprovou de forma unânime a Resolução WHA 78.15, que reconhece oficialmente as doenças de pele como prioridade de saúde pública global.

A decisão é considerada um marco histórico, pois, pela primeira vez, a dermatologia passa a ocupar espaço central nas políticas de saúde globais, com recomendações claras para que os países integrem a saúde da pele em seus sistemas nacionais.

Entre as diretrizes estabelecidas pela OMS estão:

  • fortalecimento dos sistemas de saúde para incluir serviços dermatológicos básicos;
  • formação e capacitação de profissionais no manejo de doenças dermatológicas de relevância social;
  • investimentos em prevenção, diagnóstico precoce e tratamento;
  • promoção da equidade no acesso a cuidados dermatológicos em todas as regiões do mundo.

Segundo especialistas, trata-se de uma mudança de paradigma que reconhece a pele como órgão vital para a saúde física, mental e social, além de abrir espaço para que doenças historicamente negligenciadas – como a hanseníase – recebam maior atenção política, científica e financeira.

A participação do Instituto AAL em Genebra

O Instituto Aliança contra a Hanseníase (AAL) esteve presente nas reuniões em Genebra, na Suíça, acompanhando de perto as negociações que resultaram na aprovação da resolução.

A fundadora e presidente do AAL, Dra. Laila de Laguiche, médica com ampla experiência em saúde pública e referência internacional no enfrentamento da hanseníase, participou das discussões representando a sociedade civil organizada.

Para a Dra. Laila, o reconhecimento da OMS reforça uma luta que há décadas já mobiliza profissionais brasileiros:

“A saúde da pele nunca foi apenas uma questão estética, mas sim de dignidade humana. O impacto das doenças dermatológicas vai muito além dos sintomas físicos — afeta a autoestima, a vida social, a produtividade e os direitos básicos de milhões de pessoas em todo o mundo. Com essa resolução, a OMS dá um passo decisivo para garantir que a pele seja tratada como parte essencial da saúde global”, destaca.

O papel pioneiro do Brasil

O Brasil tem tradição em reconhecer o impacto coletivo das doenças dermatológicas. Nos anos 1980, o dermatologista Dr. Pupo Nogueira Neto fundou o CEDIPS – Centro de Estudos em Dermatologia de Interesse Público e Social, na PUCCAMP, antecipando a necessidade de incluir a dermatologia no campo da saúde pública.

Mais recentemente, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) ampliou sua atuação, defendendo a dermatologia como disciplina estratégica para o SUS, especialmente no cuidado de doenças que atingem populações vulneráveis.

O reconhecimento da OMS valida essa trajetória e posiciona o Brasil como referência mundial na formulação de políticas dermatológicas de interesse social.

Compromisso do AAL diante da nova resolução

O Instituto AAL reafirma sua missão em alinhar-se às diretrizes internacionais, com foco em três frentes estratégicas:

  • Capacitação profissional: formar médicos e equipes de saúde no diagnóstico e manejo das doenças dermatológicas negligenciadas, em especial a hanseníase.
  • Tecnologia e inclusão: desenvolver e difundir tecnologias assistivas para pessoas com incapacidades físicas decorrentes dessas doenças.
  • Articulação internacional: participar de redes globais e regionais para garantir que o cuidado com a pele seja efetivamente reconhecido como direito humano fundamental.

Um momento decisivo para a saúde global

A aprovação da Resolução WHA 78.15 marca um novo capítulo na história da saúde pública mundial. Pela primeira vez, governos, organizações internacionais, sociedades médicas e a sociedade civil têm um mandato político comum para fortalecer a saúde da pele como parte da Cobertura Universal de Saúde (UHC).

Nesse cenário, a experiência brasileira e a atuação do Instituto AAL ganham ainda mais relevância.

“Estamos diante de uma oportunidade única de transformar vidas. O Brasil tem muito a contribuir para que o cuidado com a pele seja parte de uma agenda global justa, inclusiva e transformadora”, afirma Dra. Laila.

✨ O Instituto AAL seguirá acompanhando e participando ativamente desse movimento, reafirmando seu compromisso com a ciência, a educação e a dignidade humana.

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